Bondade não autorizada: a camuflagem do sagrado em Geni e o Zepelim de Chico Buarque

Abdruschin Schaeffer Rocha

Resumo


O artigo pretende discutir as marcas do sagrado camuflado na canção Geni e o Zepelim, de Chico Buarque de Hollanda. Denuncia a cultura que privilegia a figura do protagonista e destaca o papel dos coadjuvantes invisibilizados e mundanizados na obra buarqueana. À semelhança de tantas outras canções de Chico Buarque, Geni e o Zepelim se destaca por nos expor ao vigor que deriva da capacidade humana de gritar, interpelar e se rebelar. O artigo explora o conceito de camuflagem do sagrado, especialmente como sugere Mircea Eliade, e o propõe como lente através da qual considera a sacralidade da bondade expressa pela protagonista da canção — virtude que se apresenta timidamente por entre as camadas de estereótipos sociais e religiosos —, normalmente desconsiderada pela religião acostumada às chancelas e autorizações em função de sua profanidade. Parte-se do pressuposto de que o profano é o terreno comum onde os humanos se reconhecem como tais, e para onde devem retornar sempre que o sagrado se torna opressor, para uma vez mais reconstruir o sentido, postular o sagrado libertador.

Palavras-chave


Geni e o Zepelim; Chico Buarque; camuflagem do sagrado; sagrado- profano.

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DOI: https://doi.org/10.23925/2236-9937.2020v22p377-409

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