A evidência do divino indizível em Vergílio Ferreira

Ana Catarina Coimbra de Matos

Resumo


A presença do divino ao longo dos séculos foi-se transformando na literatura. Encontramos os deuses poderosos, pagãos e cristãos, um Deus temível que há de julgar, o Deus que dá sentido à existência e o Deus inexistente. No século XX, a literatura influenciada pela corrente filosófica do Existencialismo enfrenta-se à existência do ser, questionando a (in)existência do divino, de Deus. Vergílio Ferreira, autor português, essencialmente, da segunda metade do século XX, abre um diálogo entre o ser e o divino através da evidência do invisível e do indizível da fé numa narrativa que não diz, mas que se sente. Sem uma história com princípio, meio e fim, e uma prosa cada vez mais lírica, os seus romances apresentam o “eu” do protagonista que sofre um processo de autognose acompanhado pelo leitor, que vai ordenando o pensamento e a memória sobre a relação do “eu” com os outros. É o leitor que termina o romance, imaginando a palavra, a frase, a ideia que nunca se chega a dizer, atribuindo um dos múltiplos sentidos à narrativa que mostra o pensamento e o sentir de um “eu” crente.


Palavras-chave


Romance; divino; Vergílio Ferreira; “eu”; crente.

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DOI: https://doi.org/10.23925/2236-9937.2020v21p344-371

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