O Mestre e Margarida de Mikhail Bulgákov: Um Diabo Russo

Patricia Leonor Martins

Resumo


A cultura ocidental tem como um de seus alicerces o cristianismo, personagens cristãos são constantes na literatura e o Diabo é um deles. Assim, a Bíblia, como livro sagrado cristão, constitui-se em uma fonte rica para que possamos entender as origens do Diabo e tentar compreender essa personagem que tanto tem influenciado autores ao longo dos séculos. A proposta de trabalho tem como objetivo central desenvolver reflexões sobre a personagem do Diabo na obra O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov, escrita ao longo de doze anos, entre os anos de 1928 e 1940, que fora publicada integralmente só após a morte do autor. Inicialmente far-se-á uma breve apresentação sobre o autor e sua obra, cujo livro fora proibido por satirizar o totalitarismo e a censura às artes do regime soviético a partir de uma fábula sobre a visita de Satanás a Moscou. Uma obra que sobreviveu por mais de duas décadas e se tornou um fenômeno de vendas, entrando para o rol dos livros mais importantes do século XX. O foco da discussão estará centrado na personagem do diabo, sua carga teológica e a teoria satírica literária utilizada para dar voz à personagem do diabo em plena Moscou dos anos 1930. Autores como Friedrich Nietzsche e Giorgio Agamben serão apontados. A sátira, a ironia e a carnavalização serão abordadas como motes para a comicidade. Para tanto, utilizar-se-á autores como: Linda Hutcheon, Mattehew Hodgart, Mikhail Bakhtin. Bem como apresentar uma breve síntese dos apontamentos de autores que trabalham com o diabólico na literatura, como: Karl-Josef Kuschel, Robert Muchembled; Henry Ansgar Kelly; Salma Ferraz e Giovanni Papini.


Palavras-chave


Sátira; Diabo; Mikhail Bulgákov; Literatura; Teologia

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DOI: https://doi.org/10.19143/2236-9937.2018v8n16p203-230

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