Estudo de série de casos sobre voz e transexualidade: características acústicas de homens e mulheres trans brasileiras

Rodrigo Dornelas, Mariana Queiroz, Aline Ferreira de Brito, Ariane Pellicani

Resumo


Objetivo: Descrever as características acústicas na voz de homens e mulheres trans. Método: Participaram desta pesquisa seis pessoas trans, dois homens e quatro mulheres trans, com idade superior a 18 anos. Foram utilizados o software SoundForge 10.0®, o Advanced Multi- Dimensional Voice Programm (MDVP-Adv) para extração das medidas da análise acústica computadorizada e o programa Analysis Synthesis Laboratory (Computerized Speech Lab – Kay Pentax®) para análise do filtro vocal. Resultados: Os valores dos formantes se mostraram menores quando comparados à literatura nacional e internacional. As medidas de f0 apresentaram valores abaixo do esperado ao gênero feminino e aumentados ao gênero masculino. Quanto às medidas de frequência fundamental máxima (fhi) e mínima (flo), os resultados apresentaram uma grande variabilidade, sugerindo instabilidade fonatória. Os resultados de jitter e shimmer e os parâmetros relacionados ao ruído, como o Índice de turbulência vocal (VTI) e Índice de fonação suave (SPI) mostraram-se incongruentes quando relacionados aos parâmetros de normalidade. A medida de ruído/harmônico NHR se mostrou maior que os valores de normalidade, sugerindo presença de ruído ou rouquidão durante a emissão. As medidas de tremor vocal (Fatr e Ftri) apresentaram distribuição anormal quando comparadas à literatura. Não foi possível observar relação nas análises das características acústicas entre os valores de referência e as pessoas participantes desta pesquisa. Conclusão: As medidas acústicas de vozes de homens e mulheres trans apresentam análises diferentes quando comparados à literatura, evidenciando fragilidade dos programas de análise vocal acústica que não contemplam a heterogeneidade cultural e as variadas identidades de gênero.


Palavras-chave


Voz; Qualidade da voz; Transexualidade; Fonoaudiologia; Disfonia

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DOI: https://doi.org/10.23925/2176-2724.2021v33i2p257-264

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